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Maio 26, 2024
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Sector segurador vale apenas 0,82% das negociações feitas na BODIVA

Fonte: Expansão

As seguradoras e os fundos de pensões têm uma peso residual no mercado de capitais, sendo que os primeiras negociaram apenas 14 milhões Kz e os segundos 47 milhões Kz, uma “gota no oceano” no total do ano passado, que chegou aos 7.653 milhões Kz. O sector tem maior participação nas negociações de dívida pública, mesmo havendo outros instrumentos financeiros.

A participação das seguradoras e dos Fundos de Pensões nas negociações da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) valem apenas 0,82, para cerca 61 milhões Kz, de acordo com a Comissão do Mercado Capitais (CMC). Em 2023 as negociações das seguradoras caíram 20,7% para 14 milhões Kz, ao contrário dos fundos de pensões que registaram um ligeiro aumento de 5,6% para 47 milhões Kz. Os activos nos quais investiram foram acções, obrigações de tesouro não reajustáveis e unidades de participação. O montante negociado no mercado de capitais por sectores institucionais e não institucionais em 2023 foi de 7.653 milhões Kz.

Em 2022, as seguradoras e os fundos de pensões valiam na Bolsa de Dívida e Valores de Angola 4,11% e em 2023 valem apenas 0,82%, uma perda de 3,29% no peso das negociações no mercado de capitais.

Está redução, na opinião de Johny Soki, director do Gabinete de Estudos e Estratégia da CMC, não está associada com a dinâmica do mercado, porque não são as forças do mercado normal que fazem com que os investidores vão menos à bolsa, pois os instrumentos ano após ano são os mesmos, mas pode estar associado à política de cada instituição em ter mais ou menos exposição em determinado sector. “Não estamos numa fase, por exemplo, em que algum factor macroeconómico faça com que grandes investidores migrem de um lado para outro por uma questão de minimizar os custos ou ter maior rendimento. Então é difícil que se consiga dar uma razão objectiva para este fenómeno”, explica.

“Aliás, os factores do mercado podiam prever que o sector segurador investisse mais e não menos, então não consigo vislumbrar algum factor que justifique esta quebra. Deve ser uma política interna de exposição das próprias empresas”, refere.

Gestores financeiros precisam conhecer mais o mercado de capitais

Se olharmos para os últimos cinco anos, vamos perceber que as negociações das seguradoras e dos fundos de pensões na Bolsa de Dívida e Valores de Angola sempre estiveram na “cauda” comparativamente com outros sectores e a justificação sempre esteve associada à pouca diversidade de produtos, mas hoje entendem que afinal não é só mais opções de instrumentos, mas também a necessidade de um maior conhecimento do mercado de capitais por parte dos gestores financeiros das empresas.

A BODIVA disponibiliza ao mercado uma série de títulos desde bolsa de títulos do tesouro, bolsa de obrigações privadas, bolsa de unidades de participação e de acções. O sector segurador tem maior participação nas negociações de dívida pública (OTNRs), mesmo havendo outros instrumentos, investe quase 99% em dívida pública, o que sinaliza essa a necessidade.

“Acho que temos que fazer muito mais aproximação com os directores das áreas financeiras das seguradoras e dos fundos para explicar o funcionamento do mercado de capitais e perceberem os instrumentos que têm à disposição e como podem colocar o capital, maturidade, vencimento, entre outros conceitos”, explica Johny Soki.

Cristina Nascimento, administradora da Nossa Seguros, explica que a carteira dos activos do mercado em geral é pouco dinâmica, porque não se percebe como é que o sector tem um peso de 36% nos depósitos a prazo, dados de 2022.

“Não sei se é por questões de conhecimento por parte dos gestores financeiros ou falta de liquidez. Mas como é que um mercado tem em depósito a prazo de 36%, sendo que os fundos de pensões devem ser geridos numa perspectiva de médio e longo prazo! E quando vejo esse peso parece que há aqui uma incongruência face ao perfil da população dos fundos de pensões”.

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